Por que nos cobramos tanto?

Sobre ansiedade, comparações e uma vida mais leve.

Há algum tempo venho notando como o tema “ansiedade” tem se tornado comum entre as pessoas. Uma parte de mim fica se perguntando até que ponto esse assunto não se tornou mais um acelerador de views e likes, enquanto outra defende que sim, precisamos falar sobre isso.

Esses dias, uma amiga me mandou um vídeo no Youtube sobre ansiedade. Nós tínhamos assistido aos vídeos dessa blogueira praticamente o domingo inteiro, então quando recebi o link, em momento algum passou pela minha cabeça que o assunto fosse de algum modo me impressionar. Fui um pouco inocente.

Quando terminei, fiquei pensando como nada é o bastante para nós mesmos. Já repararam como estamos constantemente nos cobrando e nos comparando aos outros? Coincidentemente, no dia seguinte, li um texto que nos comparava àquele chefe chato que fatalmente todo mundo vai encontrar um dia – aquele que só consegue apontar os defeitos e não reconhece as conquistas de sua equipe.

Sabe quando acende uma luzinha na sua cabeça? Fiquei me perguntando, “Quando nos tornamos chefes de nós mesmos?”

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Você acorda cedo, mas nervoso porque não levantou cedo o suficiente para ir na academia. Promete a si mesmo que vai recompensar a “falta de esforço” no trabalho, mas fica desapontado por não ter respondido a mensagem de um amigo no segundo em que ele precisou de ajuda.

Quando chega ao fim do dia, você fica chateado por não ter adiantado todas as suas tarefas da semana. “Poxa, o que custa ficar um ou dois dias adiantado no cronograma?” E assim, você decide ficar meia horinha a mais no trabalho.

Num piscar de olhos, a meia horinha virou duas horas. E sim, você também fica bravo porque passou tempo demais trabalhando! Então, alguém te chama para ir naquele restaurante legal que você viu no Instagram e você acaba aceitando o convite, afinal isso pode melhorar o seu dia. Acontece que você nem terminou de ler o cardápio e já está se perguntando se não devia voltar para casa para dormir oito horas antes de começar tudo de novo.

E assim seguimos nesse looping é infinito. Talvez você não tenha um trabalho, mas tenha a faculdade que te deixa desanimado por não ter tirado total em uma prova. Talvez você não goste de ir na academia, mas fique o dia inteiro pensando no chocolate que não devia ter comido porque estava de TPM. As situações se adaptam e no fim do dia estamos sempre insatisfeitos com alguma coisa – mesmo nos esforçando muito para que tudo saia do jeito que planejamos.

E o que acontece? Ficamos ansiosos. Em um mundo em que acessamos durante 24 horas imagens e posts de vidas perfeitas, não é de se espantar que, cada vez mais, as pessoas estejam vivenciando crises de ansiedade. E é por isso que precisamos falar sobre isso. A maioria das pessoas que lidam com a ansiedade (até mesmo em níveis extremos) não sabem o que está acontecendo. E não existe nada pior do que passar por isso e não saber se algo está errado, ou, como muitos gostam de dizer, “é só drama”.

Não tem nada de errado com você. E isso não quer dizer que é drama.

Muitas pessoas passam por isso – e é perfeitamente normal. Algumas mais, outras menos. A verdade é que a dinâmica do mundo mudou e as coisas têm acontecido muito rápido. É inevitável que isso afete o nosso jeito de pensar e agir, mas às vezes o peso das nossas próprias cobranças fica um pouco demais para os nossos ombros.

SP 03

Todos os dias, ouvimos histórias de pessoas que conseguem tranquilamente viver em uma rotina maluca, tiveram conquistas impressionantes muito novas, já descobriram o que querem fazer da vida e que simplesmente tiveram a coragem de jogar tudo para cima. Admito que depois de muito ouvir, ler e assistir várias dessas histórias, aprendi que cada pessoa tem a sua própria.

Nem todo mundo precisa saber a sua vocação, descobrir a cura da AIDS, conhecer quarenta países, formar uma família perfeita, escrever um livro, virar CEO, plantar uma árvore, comprar um apartamento e ainda gerenciar um canal no Youtube antes dos trinta anos. E se você tem trinta anos, tudo bem você não ter feito nenhuma dessas coisas – e não ter a mínima vontade de fazer qualquer uma delas!

Talvez, quando aprendermos que cada um tem o seu tempo, vamos conseguir diminuir as comparações com as vidas perfeitas que assistimos nas redes sociais. E diminuindo as comparações, quem sabe vamos deixar de ser o chefe chato do início do texto e virar aquele líder que todo mundo admira. Um líder para nós mesmos, seria plausível? Bem, eu não sei.. Mas acho que não custa nada tentarmos encarar a realidade desse jeito. Assim, quem sabe, a vida ficaria mais leve e até mais simples. Sem tanta pressa, sem tantas cobranças e sem tanta ansiedade.

“Slow down, you crazy child
You’re so ambitious for a juvenile
But then if you’re so smart, then tell me
Why are you still so afraid?”

 

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7 comentários sobre “Por que nos cobramos tanto?

  1. Nossa, muito a minha vida, especialmente agora que tenho uma filhinha! A gente quer dar conta de tudo – e eu sou exigente pacas! e quando obviamente não consegue, fica mal.

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  2. Eu gosto mundo da sua proposta de que as pessoas tentem pensar em ser chefes/líderes de si próprias. Isso e entender que cada um tem seu tempo. Juntando as duas coisas, tudo melhora.

    PQ não dá pra gente cobrar que o mundo entenda que cada um tem seu tempo e, de alguma forma, gire em ritmos diferentes, por assim dizer. Somos nós que temos que entender, aceitar o nosso tempo e adequar o nosso próprio mundo a isso. E aí vem a parte de ser senhor de si mesmo!

    Enfim, adorei a reflexão.

    Sobre a ansiedade, há ainda formas diferentes de vivê-la. Infelizmente (porque nenhuma que ultrapassa o limite do saudável é boa). Mas acho que você sabe disso…

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