A Louca das Brusinhas 

Uma reflexão sincera sobre o consumo consciente.

No mês passado, tive a chance de participar de um curso chamado “O Melhor Trabalho do Mundo”, ministrado pela Amadoria. Com um tema desses, era de se esperar que eu saísse de lá com a cabeça a mil por hora – o que de fato aconteceu.

Dos vários assuntos tratados naquela noite, um deles continua no fundo da minha mente me fazendo refletir tanto, mas tanto, que estou aqui escrevendo esse post para você.

Em certo ponto, levantamos a seguinte questão: “Quanto dinheiro você realmente precisa?” A discussão tinha como objetivo mostrar para a turma que nem sempre o trabalho dos seus sonhos é sinônimo de não conseguir pagar suas contas, mas acabei fugindo um pouco do raciocínio e extrapolando a reflexão.

No exercício desse tópico, nos deparamos com o seguinte desafio: montar uma tabela com as últimas dez coisas que você consumiu (sem contar alimentação), quanto o valor dessas compras representou na sua renda mensal e o quanto aquilo representou para você, ambos de um a dez. Parece simples, né?

Sabe o que aconteceu? Eu não consegui preencher. Continuar lendo

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Por que nos cobramos tanto?

Sobre ansiedade, comparações e uma vida mais leve.

Há algum tempo venho notando como o tema “ansiedade” tem se tornado comum entre as pessoas. Uma parte de mim fica se perguntando até que ponto esse assunto não se tornou mais um acelerador de views e likes, enquanto outra defende que sim, precisamos falar sobre isso.

Esses dias, uma amiga me mandou um vídeo no Youtube sobre ansiedade. Nós tínhamos assistido aos vídeos dessa blogueira praticamente o domingo inteiro, então quando recebi o link, em momento algum passou pela minha cabeça que o assunto fosse de algum modo me impressionar. Fui um pouco inocente.

Quando terminei, fiquei pensando como nada é o bastante para nós mesmos. Já repararam como estamos constantemente nos cobrando e nos comparando aos outros? Coincidentemente, no dia seguinte, li um texto que nos comparava àquele chefe chato que fatalmente todo mundo vai encontrar um dia – aquele que só consegue apontar os defeitos e não reconhece as conquistas de sua equipe.

Sabe quando acende uma luzinha na sua cabeça? Fiquei me perguntando, “Quando nos tornamos chefes de nós mesmos?”

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Você acorda cedo, mas nervoso porque não levantou cedo o suficiente para ir na academia. Promete a si mesmo que vai recompensar a “falta de esforço” no trabalho, mas fica desapontado por não ter respondido a mensagem de um amigo no segundo em que ele precisou de ajuda.

Quando chega ao fim do dia, você fica chateado por não ter adiantado todas as suas tarefas da semana. “Poxa, o que custa ficar um ou dois dias adiantado no cronograma?” E assim, você decide ficar meia horinha a mais no trabalho.

Num piscar de olhos, a meia horinha virou duas horas. E sim, você também fica bravo porque passou tempo demais trabalhando! Então, alguém te chama para ir naquele restaurante legal que você viu no Instagram e você acaba aceitando o convite, afinal isso pode melhorar o seu dia. Acontece que você nem terminou de ler o cardápio e já está se perguntando se não devia voltar para casa para dormir oito horas antes de começar tudo de novo.

E assim seguimos nesse looping é infinito. Talvez você não tenha um trabalho, mas tenha a faculdade que te deixa desanimado por não ter tirado total em uma prova. Talvez você não goste de ir na academia, mas fique o dia inteiro pensando no chocolate que não devia ter comido porque estava de TPM. As situações se adaptam e no fim do dia estamos sempre insatisfeitos com alguma coisa – mesmo nos esforçando muito para que tudo saia do jeito que planejamos. Continuar lendo

16 lições de 2016

Quem acompanha o blog há mais tempo sabe que tenho o costume de escrever todos os anos sobre o que passou. Há pouco tempo, descobri que tenho uma coletânea de textos desde de 2008, cada um escondido em cada pasta do meu computador.

Foi muito nostálgico relê-los e ver como tem um pedacinho de mim em cada parágrafo. Tem um que cita Beatles, outro que compara música a um pote de geleia, outro que conta em detalhes como foi complicado tirar a minha carteira de motorista. Não importa a fase, esses textos sempre me deixam pensativa. É preciso resgatar um pouquinho de quem somos, não acha? É muito fácil nos perdermos.

Esse ano já começou com uma promessa de amadurecimento. Eu mal tinha me despedido de 2015 e 2016 já estava me enchendo de expectativas. Era hora de terminar a faculdade e finalmente enfrentar o mundo. Hora de virar adulta, entregar a tal da monografia, procurar um emprego, encarar a crise. Resumindo, que medo.

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Hoje, olhando para trás, só consigo pensar que falam demais e pouco é verdade. Sim, eu terminei a faculdade, mas eu já enfrento o mundo há muito tempo. Com passos pequenos, do jeitinho que cada fase sempre me demandou. E crescer não é simplesmente virar uma chavinha e pronto, sou adulta! Isso também leva tempo.

Aprendi e mudei muito. O impacto foi tão grande que, para ser muito sincera, o texto desse ano vai ter que ficar escondido em alguma pasta do meu computador, junto com os antigos. Mas, para não dizer que perdi o costume, fica aqui as minhas 16 lições de 2016.

1. Overthinking. Para quê? Não adianta, certas coisas vão acontecer do jeito que precisam acontecer, não importa o quanto você pense sobre elas.

2. Acredite, existe vida pós-monografia! (e aparentemente pós-faculdade também)

3. Sabe quando sua intuição te diz para não confiar? Pois é, não confie.

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4. Bancos: Um inferninho da vida adulta. Quanto menos contas abertas em bancos diferentes, melhor.

5. “Mais vale um gosto que um caminhão de abóboras.” Este é um velho ditado do meu avô e que meu pai repete muito. Confesso que só consegui entendê-lo por completo esse ano.

6. Show do Coldplay: Vá quantas vezes puder!  Continuar lendo

Um passeio aleatório

Esses dias na aula, estávamos falando sobre o preço do dólar e meu professor disse: “É um passeio aleatório. Você não sabe para onde vai depois.” Fiquei com essa frase na cabeça. Para não espantar ninguém antes do segundo parágrafo, prometo que esse não é um texto com termos técnicos e complicados, muito menos sobre o dólar. Na verdade, é bem simples.

Passeio aleatório é como o meio estatístico, econométrico e financeiro chama o “fenômeno” de eventos imprevisíveis. Um exemplo muito usado pra explicar esse termo é o andar de uma pessoa bêbada (juro!). Você não consegue prever para qual lado alguém que bebeu um drink a mais pode andar – e assim várias outras coisas funcionam.

Acontece que no mesmo dia, li um artigo sobre como temos pelo menos duas experiências ao longo da nossa vida que mudam completamente a nossa cabeça. Não lembro quem o escreveu e se tinha algum embasamento científico, mas é algo a se pensar, não? É engraçado como nunca tinha parado para refletir sobre. Já vi isso acontecer com várias pessoas, inclusive comigo. E ainda me arrisco a falar que foram muito mais que duas vezes.

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15 lições de 2015

Há cinco anos, tenho um hábito muito meu de escrever tudo o que aconteceu no ano que está terminando. Uma reflexão de tudo o que passei, senti, enfrentei e aprendi, juntamente com o pouco que espero para os próximos doze meses (não sou muito fã de metas para o ano novo).

É. Ainda não escrevi o meu texto de 2015. Sinto que os últimos doze meses passaram tão rápido e de um jeito tão inexplicável, que vai me levar alguns dias para digerir e colocar em palavras o turbilhão de sentimentos que foi esse ano. De verdade, pode ser a expressão mais clichê do universo, mas sinto que foi ontem que sentei em frente a esse mesmo computador para escrever o texto de 2014. Enquanto não consigo explicar o que aconteceu esse ano, uma pequena reflexão fluiu rapidamente no papel, e foram as lições que 2015 deixou.

1. A maioria dos grandes dias, aqueles em que coisa fantásticas acontecem, começam como todos os outros – simples e com cara de rotina.

2. Muito cuidado na hora de pegar as coisas dos outros emprestadas, principalmente carregadores de celular.

3. Não tenha medo de se apaixonar, principalmente pelo seu melhor amigo.

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4. Eis um simples fato da vida adulta: filas de banco sempre vão demorar, não importa em quais horários alternativos você aparecer por lá.

5. Coisas incríveis acontecem quando você sai da sua zona de conforto. Não tenha medo de dizer sim para o novo.

6.  Se o pneu do seu carro furar: pare! Mesmo que esteja chovendo muito e você não queira parar.

7. Não tem problema se desfazer de situações incômodas. Carregar peso só serve para nos deixar com nós na garganta.

8. Nem todo mundo já sabe o quer fazer pro resto da vida. E isso é perfeitamente normal! Ainda tentando acreditar nisso.

9. Viaje sempre que puder, programe-se! Tem horas que tudo o que precisamos para colocar a cabeça no lugar é de novos ares. Novas experiências expandem pontos de vista e aumentam nossas percepções.

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10. Não deixe a rotina te engolir. O dia-a-dia é muito corrido mesmo. O trabalho, a faculdade, as obrigações. Tudo isso toma muito do nosso tempo, mas sempre sobra quinze minutinhos para nos dedicarmos as coisas que nos fazem bem.

11. Algumas pessoas são difíceis mesmo. Outras são mal-humoradas. Outras simplesmente tiveram um dia ruim. Todo mundo tem seus motivos e não cabe a nós julgá-los. Se está difícil lidar com alguém, muita calma e bora contornar a situação.

12. Café é uma maravilha dos deuses – mas cuidado com grandes quantidades.

13. É sempre muito arriscado comer frutos do mar longe do litoral. Tive duas belas intoxicações alimentares até aprender essa lição.

14. Corra sempre que puder, corra muito! Faz bem pro corpo e pra cabeça.

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15. Muita coisa pode acontecer em um ano. Você nem imagina o que está por vir.

Vamos falar da Fabíola?

Na quarta-feira, só se falava nisso. “Você viu o vídeo? Você viu que cara de pau? Nossa, ela mentiu que ia fazer a unha! Que vagabunda. O gordinho ainda se deu bem, sabia que ele é rico? O corno destruiu o carro.” Não consegui entender a graça. Não entendi as ações dos envolvidos, não entendi porque rimos da desgraça alheia. Pensei que passaria rápido, que as pessoas se contentariam em assistir os vídeos, comentar um pouco e pronto.

Lógico que não.

Não estamos julgando demais? Ninguém aqui os conhece. Não temos o direito de falar nada sobre nenhum dos envolvidos. Todo mundo tem os seus erros. Alguns em proporções maiores, outros menores, mas é da nossa natureza errar. Quem nunca fez algo que se arrependa, que atire a primeira pedra então. Não me entendam mal, estou longe de fazer um texto defendendo a Fabíola. O que ela fez é errado, e muito. Só acho muito estranha toda essa história. Ninguém conhece a relação dos dois.


Sabia que estamos rindo de um casal que tem filhos? Que essas crianças provavelmente vão ser assombrados por essa história até se tornarem adultos? O que está acontecendo com as pessoas?

Estamos assistindo a separação de uma família e ninguém está nem aí. Fico me perguntando onde está nossa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. E o mais, por que estamos assistindo isso? Descobrir que sua esposa está te traindo não deveria ser um assunto pessoal?! Aí eu me lembro, ninguém liga para o marido. Nem para o amante. A estrela da história é a Fabíola, que traiu, destruiu um lar e provavelmente nunca mais vai conseguir aparecer no trabalho – se é que ela ainda vai ter um. Talvez fosse isso que o seu marido quisesse. Conseguiu se vingar mostrando para todos nós que (aparentemente) ela é a vagabunda da história. Mas quem garante? Ele pode estar sofrendo com isso tanto quanto a Fabíola. De novo, ninguém aqui os conhece. Continuar lendo

Um pouco de matemática

Esses dias, estava um pouco livre no estágio e uma coisa me veio à cabeça – não sei se todos sabem, mas eu estudo economia e isso faz com que, de vez em quando, eu me perca pensando em números.

Normalmente, o ano têm duzentos e cinquenta e dois dias úteis – vamos desconsiderar exceções para não complicar a nossa vida, rs. Quase sempre uma pessoa que trabalha recebe trinta dias para tirar férias – eu sei que existem lugares que disponibilizam um período maior, mas de novo, vamos simplificar. Isso significa que subtraindo esse período free do ano útil e fazendo a proporção, nós trabalhamos em média sete dias para ganhar um dia de descanso.

Essa proporção de sete dias trabalhando para acumular dias de férias me deixou um pouco assustada. E eu digo isso porque estou tão acostumada a ver as pessoas infelizes em seus empregos, odiando suas funções e não entendendo a finalidade do que fazem que eu fiquei pensando, “eu preciso ser assim também?” Fui com a pergunta pra casa e fiquei remoendo esses números um pouquinho.

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Eu tive muita sorte na hora de escolher o meu curso, mesmo. Economia é um caso de amor que não consigo explicar. Fico encantada com os números, os debates, o desenvolvimento dos raciocínios e a mistura do analítico e humano que a área demanda. Mas isso não significa que eu já saiba em qual área da economia eu quero atuar. Não sei se quero passar meus dias em um escritório, operar na Bolsa de Valores, me mudar para fora ou continuar no Brasil, ser uma figura acadêmica, uma concursada política, simplesmente abrir uma livraria com um café em uma esquina bonita da Savassi ou sair viajando por aí. São essas e muitas outras opções e todas elas de algum jeito me interessam.

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